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Herminia Pedro
herminia@mail.eselx.ipl.pt


João Batalheiro


Hepatite B


Doença Crónica

Hepatite B

Actividades
Actividade11

A DOENÇA:

Hepatite B Aguda

A doença Hepática Aguda (Hepatite B Aguda) tem duas evoluções possíveis: a eliminação do VHB ou a sua manutenção prolongada no organismo, com ou sem doença hepática.
No primeiro caso, a que corresponde a evolução para a cura, o sistema imunitário do organismo fabrica anticorpos contra o vírus da Hepatite B; no segundo, na ausência desta reacção protectora, não há cura clínica e segue-se a evolução para a fase de portador crónico do vírus que, no entanto, na maioria dos casos, não ataca o fígado de maneira a provocar hepatite crónica.

  • em cerca de 2/3 dos casos é clinicamente inaparente e, portanto, não é diagnosticado;
  • grau de risco de contágio em meio escolar é geralmente baixo;
  • a sua incidência aumenta significativamente a partir do 3º ciclo escolar;
  • é geralmente contraída por via sexual ou parentérica, por consumo de drogas injectáveis;
  • está abrangido pela lei que regula a evicção escolar.

Infecção Clínica (Sintomática)

Tem, na maior parte das vezes, uma sintomatologia semelhante a uma gripe ligeira, onde aparecem alguns ou vários sintomas: febre, falta de forças (astenia), falta de apetite (anorexia), cefaleias, mal-estar geral, etc. Esta forma, clinicamente aparente de Hepatite B Aguda, corresponde apenas a cerca de 1/3 de todos os casos nas idades escolares, podendo ter uma evolução mais ou menos arrastada.
Por outro lado, mesmo nas formas sintomáticas, apenas de um terço a metade dos casos, há sinais que chamam a atenção para o fígado: a icterícia (cor amarela da pele e/ou dos olhos), as urinas escuras e/ou as fezes claras.

 

 

 

 

PORTADOR CRÓNICO ASSINTOMÁTICO E HEPATITE CRÓNICA

1. Portador Crónico Assintomático (Pca)

Nesta forma clínica, não há qualquer sintomatologia, estando o indivíduo aparentemente são, pelo que é por vezes denominado, incorrectamente, de portador "saudável" ou "são". Não há doença no fígado propriamente dita, mas o VHB permanece no organismo por tempo indeterminado. Permanece assintomático e geralmente não diagnosticado por muitos anos e tem análises de fígado persistentemente normais. Esta forma clínica pode evoluir quer para a cura (em 1 a 2% dos casos por ano), quer para as formas de Hepatite Crónica.
O Portador Crónico Assintomático é epidemiologicamente muito importante, pois pela sua elevada prevalência é um reservatório mais importante do VHB, apesar de só cerca de 10% serem portadores infectantes.

  • é a forma clínica que mais frequentemente se encontrará no meio escolar e não está geralmente diagnosticado;
  • é o reservatório mais importante do vírus e representa a maior fonte de contágio potencial.
  • e não tem, muitas das vezes, sintomatologia clínica, logo, é geralmente ignorada pelo próprio e pelos seus contactos sociais ou íntimos, por vezes por longo tempo.
  • não justifica, a não ser muito excepcionalmente, evicção escolar.

2. Hepatite B Crónica (Hbc)

Nesta forma o portador crónico do VHB tem doença hepática, a Hepatite B Crónica, podendo revestir formas clínicas de gravidade diversa e ser clinicamente aparente ou inaparente. Globalmente, 60 a 80% dos casos não têm sintomatologia clínica sugestiva de doença Hepática e a sintomatologia é tanto menos frequente quanto menor for a idade.
Pode evoluir para formas graves e mortais de doença Hepática: a Cirrose e o Carcinoma Hepatocelular (um dos dez cancros mais frequentes a nível mundial). Em conjunto, são responsáveis por cerca de 90% de mortalidade dependente da infecção do vírus do VHB.

  • é a situação individualmente mais infectante, sobretudo nas formas clínicas com maior multiplicação viral.
  • pode justificar, em certas fases, evicção escolar temporária;
  • é a forma clínica que menos frequentemente se encontrará na escola.

COMO SE TRANSMITE

A contaminação faz-se a partir de sangue, fluídos orgânicos ou objectos por eles contaminados, postos em contacto com o corpo humano através da pele ou das mucosas, por perfuração com objectos penetrantes ou quando nelas haja solução de continuidade (pequenas feridas, escoriações, etc.).
A contagiosidade dos fuídos orgânicos é grandemente variável, desde nula a altamente infectante, fazendo-se a infecção, na esmagadora maioria dos casos, pelo sangue e "secreções" genitais.

Sobre a transmissão e factores de risco da transmissão do vírus da Hepatite B vale a pena realçar que em relação à realidade actual:

  1. os principais meios de transmissão são o contacto com sangue e com fluidos genitais;
  2. os principais comportamentos de risco são a actividade sexual genital não protegida e a partilha de seringas contaminadas;
  3. grande número dos infectados com Hepatite B aguda são assintomáticos e a doença não está diagnosticada;
  4. portador crónico do vírus é a forma de maior prevalência e fonte importante de disseminação da doença. O diagnóstico é muitas vezes desconhecido por longo tempo.
  5. VHB pode, eventualmente, também ser transmitido através da exposição da pele ou de mucosas não íntegras a fluídos corporais contaminados, saliva, exsudados de feridas ou doenças de pele exsudativas;
  6. em cerca de 30% dos casos de infecção pelo VHB, não há conhecimento de comportamentos ou factores de risco associados.

PAPEL DA ESCOLA

A Escola, enquanto comunidade educativa - onde se vive e aprende - tem que, em relação à problemática da Hepatite B, estar preparada para dar respostas adequadas, dentro do seu âmbito, a dois tipos de questões:

1. A prevenção do contágio e disseminação da doença, deve haver:

  • promoção de comportamentos e modos de vida saudáveis, como factores protectores de infecção pelo VHB, ao nível da educação para a saúde;
  • utilização de regras de higiene e de práticas adequadas e seguras, nas circunstâncias e situações da vida escolar que apresentem riscos de transmissão;
  • colaboração na campanha de vacinação do grupo etário dos 11-13 anos, implementada pelos Centros de Saúde;
  • cumprimento da lei de evicção escolar protegendo os contactos susceptíveis.

2. A integrarão dos portadores do vírus da Hepatite B, deve haver:

  • reintegração na escola, após o período obrigatório de afastamento estipulado pela lei da evicção escolar;
  • respeito pelo direito à privacidade e confidencialidade sobre a informação.

As respostas em relação aos diferentes níveis destas questões têm que resultar da conjugação dos seguintes princípios e realidades:

1.Existência na escola, actualmente muito provável, de portadores do VHB desconhecidos.

2.A possibilidade, embora de risco não elevado, da transmissão desse mesmo vírus no tempo e espaço escolares.

3.direito à confidencialidade (e ao sigilo médico) em relação ao portador do VHB, quer seja B assintomático ou doente com Hepatite B aguda ou crónica.

4.direito à integrarão e participação nas actividades escolares dos portadores do VHB, excepto nos casos resultantes da aplicação da lei da evicção escolar.

5.A defesa da saúde de todos os elementos da comunidade escolar susceptíveis de serem infectados, pela generalização universal de práticas gerais de higiene, tratamento de feridas, etc., que reduzam o risco de contágio.

6.Qualquer revelação na escola sobre a identificação de portadores do VHB (aluno, professor ou pessoal não docente) deve obedecer genericamente aos seguintes princípios:

a. se for aluno:
autorização informada (depois de correctamente esclarecidos) dos familiares responsáveis pelo aluno perante a escola, e/ou do consentimento do próprio de acordo com a sua maturidade e capacidade de julgar a situação.

b. se for adulto:
a sua autorização pessoal.

7.Na maioria dos casos só o médico tem necessidade de estar informado.

Sempre que se justifique a necessidade da informação a alguns dos elementos do pessoal adulto da escola, por razões que se prendem com necessidades de saúde (tomada de medicação ou outros cuidados de saúde) ou necessidades pedagógicas acrescidas, resultantes da doença, devem ficar obrigados à regra da confidencialidade. As autoridades escolares são aconselhadas, no caso de tomarem conhecimento da existência (ou da suspeita) de qualquer membro da comunidade escolar, alunos, professores e pessoal não docente, ser portador do vírus da hepatite B a proceder da seguinte maneira:

  1. comunicar de imediato ao médico de saúde escolar;
  2. na inexistência de médico de saúde escolar, comunicar o mais rapidamente à autoridade de saúde concelhia que trabalha no Centro de Saúde;
  3. se há suspeita de doença hepática (Hepatite), suspender provisoriamente o presumível doente e comunicar rapidamente ao médico escolar ou, na impossibilidade, à autoridade de saúde concelhia;
  4. cabe ao médico decidir, caso a caso, se deverá estabelecer um período de evicção escolar e/ou tomar outras medidas, tendo em conta a situação clínica em causa e o grau de susceptibilidade dos contactos escolares: a determinação da evicção cabe, por lei, à autoridade de saúde concelhia;
  5. cumprir a legislação sobre os períodos de evicção escolar, por motivos de doença transmissível, que contempla no seu articulado diferentes situações clínicas de infecção pelo VHB.
  6. nos casos de afastamento obrigatório pela aplicação da lei da evicção escolar, a reintegração na escola é feita mediante declaração médica.

Duas situações clínicas diferentes poderão justificar o afastamento obrigatório da escola:

  1. no caso do portador crónico de VHB, com ou seu Hepatite B crónica, sempre e só quando haja factores de risco de transmissão acrescida, como:
  • doenças dermatológicas exsudativas;
  • doenças hemorrágicas (coagulopatias) na fase de hemorragia activa.
  1. nos casos de doente com Hepatite B Aguda na fase sintomática.

No entanto sabe-se que na realidade só cerca de 1/3 dos doentes com Hepatite B Aguda, nas idades /de escolaridade obrigatória, é que tem sintomatologia clínica que possa levar ao diagnóstico e que só cerca de 10% têm replicarão vírica que os tornam potencialmente infectantes. Deve dar-se uma particular atenção aos casos em que, a nível do ensino e educação pré-escolar, jardins de infância (e eventualmente em certas condições, do 1.o ciclo do ensino básico), houver um portador crónico de VHB conhecido.
Em relação à epidemiologia e clínica da Hepatite B, parece importante realçar o seguinte:
No que diz respeito à escola esta deve ter uma participação relevante nas estratégias de prevenção da propagação do vírus da Hepatite B, no combate a esta doença de tanta importância epidemiológica e social partindo do princípio que pode haver sempre no seu espaço portadores de vírus da Hepatite B (ou de Sida) que são desconhecidos.
A ESCOLA tem que saber ser um espaço saudável e seguro, e um tempo de vivências gratificantes e fornecedoras da aquisição de comportamentos saudáveis e responsáveis.

VACINAÇÃO

A vacina é administrada gratuitamente no grupo etário dos 11 aos 13 anos e em grávidas portadoras de VHB.
Vacinação não é aconselhada, sobretudo se esta situação se conjugue com:

  1. a existência de crianças com disfunções de desenvolvimento (perturbações psicomotoras, atraso mental, etc.)
  2. crianças com comportamentos muito agressivos, sobretudo as que mordem, arranham, etc.);
  3. doenças hemorrágicas ou exsudativas.

Genericamente, em todas as situações institucionais em que haja um portador crónico de VHB, os seus contactos deveriam ser protegidos do contágio através da vacinação, sobretudo se há factores acrescidos de contagiosidade por doença (doença hemorrágica ou exsudativa) atrasos de desenvolvimento ou comportamentos agressivos mantidos.
Vacina da hepatite B – administração intra-muscular.

Calendário

1ª dose
2ª passados 6 meses
Cada 5 anos de reforço.

PAPEL DO PROFESSOR

Perante o conhecimento de ter na turma um aluno infectado com o HIV o professor deve:

  • Assegurar a confidencialidade da criança e da família.
  • Promover a integração da criança na turma e na escola, evitando superproteccionismo.
  • Saber a quem deve recorrer em caso de acidente escolar: encarregado de educação, Centro de Saúde (Médico de família, Enfermeiro).
  • Saber como actuar perante uma ferida sangrenta.
  • Conhecer os princípios básicos da doença, e promover a divulgação na escola.
  • Conhecer a criança e como é que ele enfrenta a sua doença, quais são as suas expectativas escolares, pessoais, sociais.

PAPEL DA ESCOLA

  • As escolas devem ter um posto de primeiros socorros onde deverá, entre outras coisas, ter um armário com: compressas esterilizadas, adesivos, desinfectante líquido, (povidinaiodada, soluto de Dakin), álcool, luvas descartáveis; um balde para o lixo infectado, um lavatório com água canalizada, uma marquesa, duas ou três cadeiras, uma secretária pequena.
  • Periodicamente a direcção da escola ou o grupo responsável pelo posto de primeiros socorros deverá rever o estado e efectuado deste local.

 


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