As drogas ilícitas
mais consumidas pelos portugueses são o haxixe, a heroína, a cocaína e o ecstasy.
Haxixe: é uma pasta
de resina obtida a partir do cânhamo. Tem cor castanha e é vendida sob forma de placas
"chocolate".
Cocaína: obtida a partir das folhas da coca. Tem cor branca e é vendida sobre
forma de pó, "Branca".
Heroína: Obtida a partir do ópio. Tem cor castanha acinzentada e é vendida sob
forma de pó, "Brown".
Ecstasy: são comprimidos de anfetaminas vendidas em algumas discotecas.
As drogas lícitas mais
consumidas pelos portuguesas são: o álcool, as benzodiazefinas e a nicotina.
Em relação às
toxicodepêndencias é fundamental conhecer vários conceitos:
Adição: caso
particular da dependência caracterizada pela compulsão para consumir determinada
substância.
Dependência: quando a pessoa pára com o consumo duma substância tem sintomas
físicos e psíquicos negativos (síndroma de privação).
Tolerância: o consumo continuado conduz ao aumento de dose da substância para a
pessoa sentir o mesmo efeito.
Consumidores
É frequente a pessoa
consumir mais do que uma substância. Consome preferencialmente determinado produto mas na
falta deste, aprende a consumir vários que servem de substitutos.
As toxicodependências escondem por vezes doenças psíquicas ou distúrbios de
personalidade. No entanto, o consumo de substâncias aditivas conduzem a estas
alterações.
Há vários tipos de
consumidores, o ocasional, o que abusa de substâncias e o dependente.
O primeiro consome
esporadicamente, geralmente em encontros sociais. O segundo usa em quantidades excessivas
a substância e o último consome para não sentir o síndroma de privação. A
distinção entre estes dois últimos é, por vezes, difícil, uma pessoa que abusa de
substâncias corre o risco de rapidamente se tornar dependente.
As causas que levam as pessoas a procurar o consumo de substâncias aditivas são várias.
É na adolescência que se inicia geralmente o consumo de substâncias aditivas. No
entanto, alguns dependentes iniciaram a partir dos 30 anos.
As mudanças rápidas e múltiplas que ocorreram nos últimos anos do século XX alteraram
alguns valores sociais. Em relação à estrutura familiar, as famílias alargadas
diminuíram drasticamente, aumentando as famílias nucleares e monoparentais. Em relação
ao trabalho, as exigências de entrega e de desempenho levaram os pais a entregarem os
filhos a infantários, organizações de tempos livres e a escolas que são especializadas
na educação das crianças. Esta situação provocou desqualificação dos pais que não
tendo tempo para acompanhar os filhos (conhecê-los e darem-se a conhecer), compensam a
falta de afectos e emoções com bens materiais.
Cada vez mais cedo os jovens são confrontados com a gestão lúdica e material do seu
dia-a-dia. Pedem-se-lhes responsabilidades para as quais se encontram ainda mal
preparados. Sem o acompanhamento do adulto para ensinar e gerir o tempo e consumo de bens
materiais, podem surgir desequilíbrios e a procura de consumo do ilícito.
Sem as referências
estruturantes dos pais, procuram-nas na escola. Se esta, por alheamento ou exclusão
falha, aos jovens só resta:
- O isolamento.
- A televisão e/ou o computador.
- A rua.
- A entrada para um grupo marginalizado que se
auto-exclui e é excluído.
Papel da Escola na
Prevenção das Toxicodependências
A escola é um local onde
os alunos passam a maior parte do tempo. É nela que iniciam e desenvolvem o seu processo
de socialização.
As funções da escola
são:
ENSINAR OU SABER-SABER,
SABER-FAZER.
EDUCAR OU SABER SER.
SOCIALIZAR OU SABER ESTAR
É na escola que os jovens
se preparam para a vida activa e aprendem a ser adultos, cidadãos autónomos com
capacidade de realização. Aprendem a elaborar objectivos e a estabelecer prioridades nas
estratégias necessárias para os atingirem.
A escola é um local de saber cognitivo, e psicomotor, nela os alunos aprendem conceitos
teóricos e teórico-práticos e ganham capacidades de desempenho.
A escola não pode substituir os pais, estes são os encarregados de educação dos seus
filhos. O papel da escola é complementar da função pedagógica dos Pais.
O que se pede à escola é que prepare os alunos para a sua vida socio-profissional. Ela
deve estar dimensionada adequadamente para o número de alunos inseridos, deve ter um
espaço de atendimento para os pais e alunos, deve estar adaptada à realidade social da
comunidade onde está inserida, deve partilhar com outros parceiros institucionais e não
institucionais na vida dessa comunidade. Deve aceitar e compreender as diferenças e deve
estar atenta para os comportamentos de risco de alguns dos seus alunos. Aqueles que
subitamente se desinteressam pelas matérias, faltam com frequência e deixam de andar com
o grupo de amigos habitualmente são jovens de risco.
Os pais devem ser informados e os jovens devem ser ouvidos. Se a família é uma família
desestruturada deve ser referenciada, com o seu acordo, para o Centro de Saúde onde será
consultada por um médico de família. Se for necessário poderão ser pedidos outros
auxílios: social, psicológico, psiquiátrico, judicial.
Todos os problemas têm solução, mas precisam ser entendidos para serem resolvidos.
A escola é uma referência cultural da comunidade. A globalização, as facilidades dos
meios de comunicação, só vieram alterar alguns valores que aparentemente a
desqualificaram.
A rapidez e a facilidade do saber pelos meios informáticos não substituem a escola na
sua função pedagógica fundamental. Saber saber não chega é preciso saber gerir o
saber, e aprender a utilizá-lo para saber fazer. É preciso aprender a comunicar para
saber estar.
A escola deve promover a formação dos seus funcionários, porque a evidência demonstra
que a formação melhora o desempenho e torna-os mais satisfatórios pessoal e
profissionalmente.
Desta forma a escola estará a desempenhar as suas funções e a prevenir a
marginalização dos seus alunos, o abandono escolar com todas as eventuais consequências
negativas, sendo as toxicodependências uma delas. |